quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Entendendo o princípio do Reino.


Começamos esse estudo falando sobre a torre de Babel, onde muitos dizem ser o marco do orgulho da humanidade, pode até ser, mas o principal erro que vejo no relato da queda desta torre está na desobediência do povo para com a palavra de Deus, onde Deus dfiz: ide e multiplicai-vos, mas eles preferem construir para eles um centro, fazer de Babel o centro do mundo, e vemos nesse relato que Deus desce sobre eles, confunde suas línguas e o povo que antes se entendia, agora já não se entende e por fim são dispersos entre as nações. 

Avançando um pouco na história vemos como o povo de Deus é levado ao Egito pelas circunstâncias (fome, seca e por aí vai), o Egito é simbolismo muito usado pelos profetas para indicar a escravidão, o mundo, e vemos que em nenhum momento foi vontade de Deus levar seu povo para lá, mas as circunstâncias os leva, mesmo assim Deus envia um resgatador para livrar seu povo da escravidão no Egito, Moisés. Em toda história do povo de Deus no Egito o personagem que mais me chama atenção é José, que mesmo não sendo do Egito alcançou o governo lá, e mesmo alcançando tão posição ele não se deixa contaminar com o Egito.

Avançando novamente na história chegamos a Babilônia, que também é um simbolismo para o mundo, para a escravidão, se antes as circunstâncias levaram o povo de Deus ao Egito, agora a idolatria e desobediência do povo os levou até a Babilônia, e tudo que haviam construído em Jerusalém desde quando saíram do Egito foi desfeito diante de seus próprios olhos por conta desses erros. O povo de Deus permanece setenta anos na Babilônia até serem enviadas de volta a sua terra. Assim como José me chama atenção no Egito, Daniel me chama atenção na Babilônia, que mesmo não sendo babilônico alcançou o governo na Babilônia, mas assim como José, não se deixou contaminar com as iguarias do rei.

Tanto na história de José, quanto na história de Daniel é interessante ver que mesmo eles alcançando tal posição de poder eles não queriam estar naqueles lugares, tanto que José em seu leito de morte manda levar seus ossos do Egito quando o povo fosse resgatado da escravidão, e quanto a Daniel, se você for fazer uma leitura minuciosa dos livros de Esdras e Neemias verá que o nome de um dos líderes de Judá que retornou para Jerusalém era chamado Daniel, creio eu o mesmo Daniel. Quem é de Sião não permanece no mundo.

Por falar em Sião, Sião simboliza a habitação do Altíssimo, um lugar alto, lugar de pessoas puras, esse lugar que devemos habitar, mas como habitar nesse lugar se não somos puros? Aí entra a questão de quem nos purifica, isto é, o sacrifício de Cristo, e hoje podemos chegar a Sião celestial, pois fomos purificados pelo Rei da glória. Sião é um lugar a parte do mundo, até hoje é assim, pegue imagens de grandes metrópoles de todo mundo e de Jerusalém e verá como é contrastante um lugar do outro. Esse lugar é um lugar de santos, por isso creia na santificação que Cristo conquistou para nós através de sua morte e ressurreição, tome muito cuidado ao se chamar pecador quando quem te santifica é o próprio Deus, creio que pecado maior é chamar a si mesmo de pecador enquanto é Cristo quem nos santifica, não menospreze Sua morte e ressurreição. 

Para entender o princípio do Reino de Deus separei um texto em Colossensses 1:13, nesse texto fala sobre um império das trevas e um reino de amor, e para entender melhor o que irei explicar faço uma analogia de dois homens, e dentro desse primeiro homem há um império que por si só sempre será menor que um reino, esse império é do tamanho de uma cidade, porém nessa cidade há diversos distritos e cada distrito age de acordo de suas próprias leis, contanto que paguem os impostos para o imperador isso não é problema, e é interessante entender que esse imperador pode ser destituído ou trocado com uma facilidade muito grande, dificilmente um império continua no governo de uma só família. Vamos lá, e dentro desse segundo homem que mencionei há um reino, que está em constante crescimento, nesse reino não há divisões de leis ou regras, todos devem agir de acordo com a vontade do rei, ele é soberano e dita as regras, esse rei exerce sua soberania, interessante também que esse reinado irá continuar em sua família enquanto o reino continuar a existir. 

Quando os discípulos de Jesus chegam a Ele para Lhe contar que até demônios se submetiam ao nome de Jesus a primeira coisa que Jesus fala pra eles é: eu vi satanás caindo como um relâmpago (Lc: 10:17-18). Parece algo estranho de alguém dizer quando alguém da uma boa noticia, acontece que Jesus diz isso aos seus discípulos pois toda vez que eles expulsavam um demônio, o imperador que governava aquela vida era destituído e caia como um relâmpago e o Reino de Deus chegava naquela vida (se recordam da analogia dos dois homens?), podemos ver isso quando Jesus dá continuidade dizendo: alegrem-se porque o nome de vocês está escrito no livro da vida, e não apenas os nome dos discípulos, mas também daqueles que ouviam as boas novas do Reino, agora salvos, mas que antes estavam no império das trevas.

Sabe qual foi o erro de satanás? Foi ele querer colocar seu trono entre as estrelas de Deus (Is. 14:13), ele se ensoberbeceu ao ponto de achar que toda sua formosura era por mérito próprio, ele esqueceu que Deus o havia feito daquela forma. E sabe quem são essas estrelas (Fp. 2:15)? Somos eu e você, no livro de Tiago fala que Deus é Pai das luzes (Tg. 1:17), se Deus é Pai das luzes e somos filhos de Deus quem são essas luzes? No livro de Hebreus diz que os anjos são espíritos e os espíritos são como o vento de Deus, mas seus santos ministros são como labaredas de fogo, em algumas versões estrelas de Deus (Hb. 1:7). Satanás queria colocar o trono dele sobre os santos de Deus, isto é, eu e você. E na revelação de Jesus vemos que satanás caiu e com sua cauda arrastou uma terça parte das estrelas do céu (Ap. 12:4), e esse trono que ele queria sentar está ocupado. Sabemos que Jesus veio desfazer as obras de satanás (1 Jo. 3:8), quem está assentado nesse trono é Jesus (Ap. 5:6), em apocalipse é dito que o Cordeiro que foi morto está assentado no trono, também é interessante ver que esse Cordeiro que foi morto, mas hoje vive nos constituiu reino e sacerdotes com Seu sangue (Ap. 5:9-10), sendo assim eu e você somos o Reino de Deus. Reino esse que não vem de visível aparência (Lc. 17:20), que começa pequeno, mas vai se expandindo e se torna grande a ponto de todas nações se beneficiarem dele (Mt. 13:31-32), é como um tesouro encontrado que traz muita alegria (Mt. 13:44), é muitíssimo valioso, chegando ao ponto de vendermos tudo que temos pra viver por ele (Mt. 13:46), Reino esse que não consiste em comida ou bebida, mas justiça (nossa justiça é Cristo, Rm. 3:21-26), paz (não a paz que o mundo dá, mas a paz de Cristo, Jo 14:27) e alegria no Espírito Santo.

É interessante sabermos que tanto o império das trevas quanto o Reino de Deus são espirituais (Lc. 17:20), e o mundo que vivemos é natural e jaz no maligno (então automaticamente uma pessoa que anda segundo os padrões do mundo se encontra o império das trevas até que o Reino o seja manifesto), e nesse mundo natural há uma ordem de coisas, só que no Reino essa ordem é invertida, como já dizia o evangelista Rodolfo Abrantes: o evangelho não é atraente pro mundo, antes é loucura. Porque envolve perder para ganhar, envolve morrer para viver, envolve sumir para aparecer, envolve descer para subir. Antes nos estávamos mortos pra Deus por isso não sentíamos o toque de Deus, mas hoje vivos para Deus mortos para o mundo. Certo jovem chega pro seu pastor e diz: pastor, tá doendo muito, antes quando eu tava no mundo não era tão difícil como é agora que estou na igreja. E o pastor responde: meu filho, antes você tava morto e morto não sente dor. Agora sentimos a dor do Reino, quando vemos pessoas que amamos se perdendo a cada dia sem conhecer o evangelho de Cristo, por isso que nós, cristãos, devemos chorar, não mais por conta de coisas mundanas, mas por conta do Reino de Deus.

É legal entendermos de uma vez por todas que no Reino tudo é para Jesus, tudo que precisamos é Ele, Ele que devemos buscar em primeiro lugar, e todo mais se fará (Mt. 6:33, Sl. 23:1, Sl: 37:4, Jo. 15:7).

Outra característica do Reino é que ele é inabalável (Hb. 12:28), Deus irá abalar tudo uma última vez para permanecer aquilo que é inabalável, isto é, o Reino e seus santos que são como o monte Sião, não se abalam (Sl. 125:1).

Lembra da torre de Babel? Então na história da igreja vemos algo semelhante acontecendo, só que dessa vez ao invés da desobediência de ir e multiplicar, os discípulos no dia de pentecostes estavam obedecendo um mandamento de Jesus para eles: permaneçam em Jerusalém até do alto serem revestidos de poder (Lc. 24:49) e assim como em Babel o Espírito Santo desceu, e houve confusão de línguas, mas agora vários povos que não se entendiam começaram a falar a mesma língua. Em Babel aqueles homens foram dispersos contra sua vontade, mas agora por vontade própria os discípulos foram entre as nações pra pregar o evangelho. 
Interessante vermos como o Reino começa exercer influência em nosso viver, a bíblia nos diz que o Reino é semelhante uma pequena quantidade de fermento que fermenta toda a massa (Mt. 13:33), me lembro de quando entrei na igreja e estava conversando com o reverendo de minha igreja local e o chamei de "viado", eu ainda não entendia a diferença entre estar na igreja e no mundo, sempre fui em igrejas, mas pra mim era normal aquele palavreado, ainda não estava morto para o mundo, mas estava começando a viver pra Deus, nesse mesmo dia depois do culto estava indo pro ponto de ônibus para ir pra casa, dei sinal para o motorista, ele me viu e não parou, naquele momento seu eu perceber havia o xingado em voz alta, e eu estava com um bíblia em baixo do braço, com aproximadamente cinco irmãos da igreja comigo e eu xinguei em voz alta em um ponto de ônibus cheio de gente, não foi a melhor atitude cristã que eu poderia ter, mas o Reino estava começando a me influenciar.

Creio que todo cristão genuíno tem esse desejo de crescer em Deus, se aprofundar em conhecimento e conhecer mais do amor de Cristo (se você não tem, peço que reveja seus conceitos, Deus já saiu daquela caixa que o povo O colocou chamada arca da aliança, agora Ele habita em nós e age da forma que quer, por isso busque O entender), naqueles dias ainda não conhecia como O conheço hoje. Certa ocasião estava passando na rua e um rapaz muito alto e forte que eu não conhecia passou por mim e cuspiu em mim, e não foi um cuspe qualquer, foi daqueles amarelados de catarro,  enfim, ele cuspiu e ficou rindo da minha cara esperando uma reação, naquele momento olhei para ele e falei: Deus te abençoe. Foi interessante ver a forma que o Reino se manifestou para aquele homem, que após eu andar uns vinte metros olhei para trás e ele estava lá, parado pensando no que havia ocorrido, naquele dia o Reino foi manifesto através da minha vida, através de uma atitude tão simples o Reino foi manifesto para aquele homem.

Nós hoje precisamos entender que há duas formas de andar, segundo a carne e segundo Espírito (Gl. 5:16-18) e muitos pensam que andar segundo a carne significa estar em pecado, acontece que o pecado nada mais é que o fruto de andar na carne, andar na carne significar ser guiado por seus desejos, sua confiança em si mesmo ou naquilo que é obra de suas mãos (tirar Deus do controle). E o interessante que ser guiado pelo Espírito significa manifestar o Reino nessa terra, reino significa governo, e onde há o governo de Deus também Sua vontade é feita. Vemos em apocalipse 5:10 que vamos reinar, isso significa reinar com Cristo, e talvez você pense: reinar no mundo que virá, mas na realidade esse reinar é nessa terra, lembra de José e Daniel, eles não eram do mundo, assim como não somos, mas eles reinavam no mundo. Exerça o Reino de Deus nessa terra, governe com Cristo, O busque em primeiro lugar, manifeste sua vontade nessa terra, brilhe sua luz.

Por: Antônio Marcos dos Santos.